Marcel Rei Coronato

GOSTO QUANDO AS PALAVRAS

Gosto quando as palavras

Significam

Sem querer significar

.

Quando de repente

Sem a precisão recorrente

Ela vem intermitente

Sem precisar explicar

.

É sempre uma audácia

Uma flor de Acácia

Um belo Manacá!

.

Nasce no seio das pedras

As nossas já ruas amarelas

E são frutos do pomar

.

Gosto da poesia pomar

Mas não aquele

Que se espera plantar

.

Gosto de colher sem semear

Gosto de semear sem colher

Gosto é de olhar

.

Nada entra

E nada sai

A flor fica lá

Fico eu cá

.

Não mexo

Na natureza o índio ensinou

A pedir licença para a mata

Antes de entrar

.

E com os pés descalços

E sandálias de dedo

Vou compondo o meu tema

Sem apegos, sem apelos.

.

Algum dia eu não chego lá.

 

Eu, que sou?

Eu, divulgador que sou das intempéries,
Plasmado do que não disse
Desintegrador de todas as chagas
Cívico, moral, e anti-moralista

Eu, que convoco a todos para as assembleias,
Digo verdades, e que doa!
Sento no ultimo lugar da mesa, e sou o primeiro.
Eu, que ergo o punho, e não bato, pois melhor seria…

Eu, que esperei o momento da piada chegar,
Que torci para não só a mim a chuva molhar
Rezei tragédias, e praguejei contra as mesmas
Mordi o pão, e cuspi no chão do dono

Eu, que tenho orgulho,
– Sou sujeito crítico! Não passarei no mundo atoa!
Eu sou tão eles
E os faço dar risadas

Não rio do seu riso
Pois eu nunca rio

Sou palhaço sem lágrima
Maremoto sem água
Céu anil chovendo
– Sou tudo o que você queria ver…e não me importo. E não me exporto…

 

 

 

A ilha e o monte

Apareceu no meio da estrada
Quem não iria perguntar
– O que faz?

Respondeu, quem não iria responder ?,
E com as mãos mágicas, mostrou os dois caminhos
E com a boca, jamais

Viu a estradinha
Mas sabia, até o certo,
Aonde ia

Respondeu ao mago, ao sábio,
Que o monte era grande, e precioso,
Mas iria de encontro a ilha

Ele sorriu
As mãos agradeceram
Porém seus olhos, não.

Continuou o seu caminho
De repente chegou ao seu destino
E o mar, e as terras, tão vastas, tão belas!

Mas nunca se esqueceu
Do homem, e quanto mais, tomando o sol quente
Pensava, e observava, o monte
– Mas o que exatamente, quis dizer aquele homem?
O que me intriga tanto no fim daquele horizonte
Será o velho, será o monte?

Um belo dia
Partiu de “ mala e cuia”
Buscar seus sonhos, percorrer os caminhos tortuosos  e paralisantes

Era uma subida íngreme
Era um lugar distante
Existiam cavernas, porém nenhum habitante

Tinha lido um dia
Que Zaratustra, o poeta e filósofo errante,
Viveu naquela capela, viveu no monte ululante

E que depois de muito tempo
Ele saiu de lá exultante
Tinha descoberto o sentido da vida, desceu para a cidade dos montes

E no cume que tinha chego
Não vi filósofo, nem vi o desterro
Observei a Ilha, observei a imensidão de neve, e o deserto.

E tudo era muito azul
Então voltei.

O velho tinha me pego alguma peça
Ainda lembro de tê-lo visto uma vez em minha ilha
Falava que era a boa a vista, e as águas não eram frias.

Minhas mãos agradeceram
Refiz nos meus olhos
O seu sorriso.

 

 

 

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